Os artistas

Fotografia

Neste âmbito, destacou-se Américo Ribeiro (1906-1992) cujo espólio se pode consultar no arquivo que se situa na Casa de Bocage, na rua de Edmond Martissol nº 12. Nasceu e viveu na cidade, tendo desempenhado as funções de repórter social e desportivo, bem como legado ainda importantes registos noutros domínios (monumentos, paisagens e gentes), alguns dos quais se podem apreciar nalguns espaços públicos (restaurantes, cafés, lojas, etc).

No âmbito nacional, e mesmo internacional, Setúbal nunca deixou de estar representada por alguns nomes que foram marcantes ao longo de diversas épocas em vários domínios. Não pretendendo ser exaustivo, entendo ser de realçar os seguintes, seguindo uma ordem alfabética e cronológica:

Porto de Setúbal, Américo Ribeiro, 1928

“Porto de Setúbal” em 1928

 

Os artistas

No âmbito nacional, e mesmo internacional, Setúbal nunca deixou de estar representada por alguns nomes que foram marcantes ao longo de diversas épocas em vários domínios. Não pretendendo ser exaustivo, entendo ser de realçar os seguintes, seguindo uma ordem alfabética e cronológica:

Fotografia

Porto de Setúbal, Américo Ribeiro, 1928

“Porto de Setúbal” em 1928

 

Neste âmbito, destacou-se Américo Ribeiro (1906-1992) cujo espólio se pode consultar no arquivo que se situa na Casa de Bocage, na rua de Edmond Martissol nº 12. Nasceu e viveu na cidade, tendo desempenhado as funções de repórter social e desportivo, bem como legado ainda importantes registos noutros domínios (monumentos, paisagens e gentes), alguns dos quais se podem apreciar nalguns espaços públicos (restaurantes, cafés, lojas, etc).

Música

Porto de Setúbal, Américo Ribeiro, 1928

“Luísa Todi” de 1789 por Élisabeth de Brun (1755-1842). Museu de Arte Antiga de Lisboa

A figura mais marcante foi, sem sombra de dúvida, a cantora lírica Luisa Todi (Setúbal, 1753 – Lisboa, 1833). Viveu sempre rodeada de músicos, já que seu pai, Manuel Aguiar, era professor de música e instrumentista e, o seu marido, Francesco Todi, natural de Nápoles (Itália), era um conceituado compositor e violinista. Foi aluna de outro napolitano (de origem espanhola), David Perez, que foi músico da corte portuguesa no reinado de D. José I. Percorreu com enorme êxito os teatros de algumas das principais cidades europeias (Londres, Paris, Versailles, Viena, Berlin, Bona, San Petersburgo, Veneza, Génova, Pádua, Bérgamo, Milão, Turim, etc), onde atuou para os mais variados públicos, inclusive, admite-se, para o grande compositor Ludwig van Beethoven. Possui um busto na avenida principal da cidade que tem precisamente o seu nome, tal como o principal cine-teatro da mesma. A casa onde nasceu, situada no bairro de pescadores de Troino, irá ser adaptada para museu.

De destacar ainda o cantautor José Afonso (Aveiro, 1929 -Setúbal,1987), uma das figuras cimeiras do fado de Coimbra e da música de intervenção nos tempos do regime ditatorial que vigorava antes da Revolução de 25 de Abril de 1974, tendo por via disso estado detido pela polícia política do regime político de então. Viveu na infância em Angola e em Moçambique, tendo-se formado na capital dos estudantes e dos doutores. Viveu os últimos anos em Azeitão e faleceu no Hospital de Setúbal, vítima de doença neurológica degenerativa. É possível, ainda hoje, encontrar LPs e CDs em lojas da especialidade, pois algumas das suas músicas são verdadeiramente emblemáticas, tal como a “Grândola Vila Morena” que serviu de senha radiodifundida na madrugada em que se deu o golpe militar que permitiria a instalação de um regime democrático em Portugal.

Poesia

O primeiro poeta digno de nota foi Agostinho Pimenta, também conhecido por Frei Agostinho da Cruz (Ponte da Barca, 1540 – Setúbal, 1619). Foi frade arrabidino, depois de ter passado por conventos em Sintra e Algés. Teve, em tempos, um afamado colégio com o seu nome que fechou portas nos finais da década de 70 do sec XX.

O elemento de maior destaque, contudo, foi indiscutivelmente de Bocage (Manuel Maria Barbosa du Bocage, ou “Elmano Sadino”, Setúbal, 1765, – Lisboa, 1805). De ascendência francesa por parte da mãe (sobrinha de afamada poetisa galesa), idioma que naturalmente dominava e que lhe permitiu traduzir várias e importantes obras escritas nessa língua. Boémio incorrigível, teve um percurso de vida muito idêntico ao poeta Camões que tanto admirava, tendo vivido na Índia e em Macau. Foi diversas vezes preso pela inquisição. O dia 15 de setembro, data do seu nascimento, é o Feriado Municipal. A Praça mais importante da cidade tem o seu nome, onde existe uma estátua em cima de uma coluna em frente ao palácio que é sede oficial do Município.

Porto de Setúbal, Américo Ribeiro, 1928

“Bocage”, pintura do sec. XVIII de autor desconhecido

Devem referir-se, ainda, o nome do poeta popular António Maria Eusébio (conhecido por “Calafate” ou “Cantador de Setúbal”, 1819-1911). Viveu sempre na cidade, e era carpinteiro naval de profissão. Só muito tardiamente teve o merecido reconhecimento. Existe um busto seu no principal parque do centro da Setúbal (“Parque do Bonfim”).
Já em pleno sec XX, merece indiscutível realce Sebastião Artur Cardoso da Gama (Vila Nogueira de Azeitão, 1924 – Lisboa, 1952). Professor de Português de profissão, colaborou em diversas publicações de índole literária. Ficou essencialmente conhecido por ter exaltado como nenhum outro a sua “Serra Mãe”, a Serra da Arrábida. Faleceu precocemente de tuberculose, tal como muitos notáveis por esse mundo fora. Na freguesia onde nasceu existe uma interessante Casa-Museu e deu nome a uma das maiores e mais importantes escolas secundárias da cidade de Setúbal.

Pintura

O primeiro nome que merece ser referido é o de José António Benedito de Faria e Barros (conhecido por “Morgado de Setúbal”, Mafra, 1752 – Setúbal, 1809). Tendo sido um autodidata, impôs-se como artista versátil e reconhecido no seu tempo, estando representado nalguns museus nacionais.

“Retrato do Pintor” num pormenor de um tríptico intitulado “Setubalenses ilustres”, localizado no salão nobre do edifício da CMS, da autoria de Rick Morais, com data desconhecida“Retrato do Pintor” num pormenor de um tríptico intitulado “Setubalenses ilustres”, localizado no salão nobre do edifício da CMS, da autoria de Rick Morais, com data desconhecida

Porto de Setúbal, Américo Ribeiro, 1928

“Retrato de um negro” do sec XVIII, pelo Morgado de Setúbal

“Cais de Setúbal” sec XIX-XX

Segue-se pintor João José Vaz (Setúbal, 1859 – Lisboa, 1931). Integrou o celebérrimo “Grupo do Leão” do qual faziam ainda parte alguns dos mais importantes pintores dos finais do século XIX (tais como os Irmãos Bordalo Pinheiro- Rafael e Columbano, António Ramalho, Silva Porto e José Malhoa) bem como vários escritores e poetas. Deixou prolixa obra, onde se destacam paisagens e frescos em diversos edifícios públicos. Tem um busto seu numa das praças do centro da cidade.

Mais recentemente, deve destacar-se, Mestre Lima de Freitas (Setúbal, 1927 – Lisboa, 1998). Sendo essencialmente um pintor surrealista, foi igualmente reconhecido como ilustrador de mérito, tendo deixado a sua marca indelével em obras tão importantes quanto “Dom Quixote”, “Os Lusíadas”, ou “O Bobo”

“Ilustrações” para a poesia lírica de Camões de 1960

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